Douglas Lopes (1991) Maré, Rio de Janeiro, Brasil.
Artista visual e fotógrafo nascido e criado na favela da Maré, no Rio de Janeiro. Desde 2013, desenvolve uma investigação artística que articula fotografia, território e memória, explorando as relações entre estética, poética e questões sociais e políticas presentes na vida urbana.
Seu trabalho parte da experiência cotidiana nas periferias da cidade para construir imagens que tensionam narrativas dominantes sobre o Rio de Janeiro. Suas fotografias frequentemente revelam gestos, paisagens e situações que atravessam a vida coletiva na Maré, propondo reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência. Ao transitar entre o documento e a elaboração poética, sua produção busca evidenciar as múltiplas camadas que compõem a experiência social nos territórios populares.
Ao longo de sua trajetória, Lopes também desenvolveu um interesse aprofundado pela materialidade da fotografia e pelos processos de preservação da memória visual. Realizou formação em preparação de obras de arte no Instituto Moreira Salles e qualificação profissional em identificação de técnicas e conservação preventiva de acervos fotográficos históricos na Fundação Oswaldo Cruz, por meio da Casa de Oswaldo Cruz, ampliando sua compreensão sobre conservação, circulação e apresentação da imagem no campo artístico.
Paralelamente à produção autoral, desenvolve uma atuação contínua na área da comunicação e da cultura comunitária. Entre 2013 e 2017, atuou como fotógrafo e professor de oficinas para crianças na Lona Cultural da Maré. Entre 2017 e 2020, integrou a equipe do jornal comunitário Maré de Notícias, registrando acontecimentos e histórias do território. Desde 2013, trabalha como fotógrafo e videomaker na Redes da Maré, organização dedicada ao desenvolvimento social, cultural e educacional da região.
No campo audiovisual, foi diretor de fotografia da série Marielle – O Documentário, dirigida por Caio Cavechini e Eliane Scardovelli para o Globoplay, vencedora do Prêmio ABRA de Roteiro na categoria Melhor Roteiro de Série Documental e exibida no Berlinale Series Market, no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Também assinou a direção de fotografia e entrevistas do curta “Unifavela – o ENEM, a favela e o Coronavírus”, produzido para o The Intercept Brasil, vencedor do Prêmio ABMES de Jornalismo na categoria Vídeo Nacional.
Em 2021, assinou a fotografia do videoclipe “E Você Diz”, reunindo os artistas Frejat, Jards Macalé e Luiz Melodia. No mesmo ano, dirigiu, roteirizou e fotografou o curta “É Preciso Estar Vivo Para Viver”, realizado no contexto do Dia Internacional dos Direitos Humanos para a campanha “Somos da Maré! Temos Direitos!”. Em 2023 foi indicado por Sergio Burgi e Tatiana Altberg para participar do MAST Photography Grant on Industry and Work, prêmio internacional dedicado à fotografia contemporânea.
Sua produção artística se desenvolve entre a fotografia, a instalação e a experimentação visual, investigando as transformações da paisagem urbana e as formas de vida que emergem nos territórios populares do Rio de Janeiro.



















































